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IA, design e controle criativo: quem faz o quê?
Um blister de brinquedo, dezenas de versões e o toque humano que faz tudo fazer sentido.
Tudo começou com uma pergunta inocente:
“ChatGPT, como você me descreveria profissionalmente?”
Curiosidade pura. Nenhum plano oculto de reposicionamento. Era só uma forma de ver, com uma certa distância, como a IA me percebia com base nas nossas interações.
A resposta foi boa. Misturava meu lado racional com o criativo, minha filha com meus funis, a newsletter com frameworks que ninguém entende de primeira.
Mas até aí, era só texto.
Até que eu vi um blister.
Era uma imagem gerada com a nova versão do GPT-4o: um boneco fictício, embalado como se fosse um brinquedo de prateleira, com estilo de action figure de designer caótico. Pose, acessórios, frases, identidade.
Na hora, pensei: "E se fosse eu ali?"
A IA não cria sozinha. Mas cria muito bem com direção
Voltei pro ChatGPT, expliquei a ideia e pedi ajuda para escrever um prompt. Veio uma sugestão extremamente criativa, com uma narrativa divertida, cheia de detalhes e com um tom que encaixava perfeitamente com o que eu queria comunicar.
A primeira versão foi essa aqui:
Crie uma imagem realista de uma embalagem de brinquedo hipotética para o personagem "Luiz Filipe, o Estratégia Hacker". Ele é um consultor de marketing tech-savvy, especialista em estruturar o caos. Conhecido por transformar funis bagunçados em máquinas de aquisição e por fazer estratégias parecerem fáceis (mas não são).
Luiz tem o cabelo levemente bagunçado de quem já testou três automações antes do café da manhã. Olhos atentos e um leve ar de "já pensei nisso semana passada". Pele um pouco pálida de quem passou a noite entre dashboards e ideias de newsletter. Ele tem um sorriso sarcástico que diz: “isso aí tem potencial, mas precisa de tração”.
Ele está vestindo:
– Camiseta preta com estampa minimalista e a frase “funil > feeling”
– Calça jeans escura com bolso lateral pra guardar post-its e insights rápidos
– Tênis preto discreto e confortável (pra andar de um projeto ao outro sem fazer barulho)
Acessórios incluem:
– Um laptop com adesivos “Data believer” e “Designed in Notion”
– Um caderninho rabiscado com frameworks malucos e ganchos de copy
– Uma garrafinha de água com rótulo escrito “dados hidratam”
– Um bonequinho da filha dele dizendo “pai, esse cliente é legal?”
Tema da embalagem: “Consultor Hacker Drop” — visual limpo com toques caóticos: grids desalinhados propositalmente, cores suaves de Figma e pequenas frases como “Otimize sem perder a alma”. A caixa mistura estilo de action figure com design de ferramenta beta.
Adicione um selo com os dizeres “Testado em 9 PMEs e uma startup confusa” e uma lista de recursos falsos como:
Inclui:
– Framework de funil com nomes engraçados
– 3 automações inúteis só pra ver se funciona
– Acesso vitalício ao modo rascunho
– Versão premium da planilha que só ele entende
Até com algumas sugestões que eu usarei futuramente como a frase das PMEs e a startup confusa. O “Otimize sem perder a alma” que fala muito sobre o que eu abordo tanto em newsletters como nas consultorias. E até o “feito no caos, testado na prática”, que acabou aparecendo numa das versões posteriores do prompt (o primeiro resultado nunca é o ideal).
Fiz alguns ajustes e levei o prompt pra geração de imagem (novo ChatGPT 4o, antes que perguntem).
A parte difícil? Veio depois.
A imagem inicial não ficou ruim. Mas também não ficou boa.

E aí começou o que você já pode imaginar:
O boneco tinha óculos (eu não uso).
A cabeça parecia de outro personagem.
As entradas do cabelo estavam dramáticas demais.
Os acessórios estavam flutuando.
O texto era bom, mas desalinhado e com alguns erros.
Arrumava uma coisa, outra estragava.
Fiz dezenas de versões. Ajustei um detalhe aqui, outro ali. Troquei pose, substituí elementos, testei balão de fala, bola de futebol, dashboards, adesivos. Mas ainda não existe o mesmo nível de controle que eu consigo no Photoshop, por exemplo.
Essa foi a melhor que eu consegui, antes de perder a paciência:

Até que, por fim, pedi:
“Me dá uma versão limpa. Sem texto. Sem adesivos. Só os bonecos e os objetos, organizados.”

E foi aí que entrei com o toque final no Photoshop (zona de conforto) onde alinhei tudo do meu jeito e finalizei o que virou a versão oficial:

Ainda foram vários ajustes. Muitos também com IA (dessa vez da Adobe) que me ajudou até a trocar itens com mais precisão.
Com mais tempo e esforço eu conseguiria algo ainda melhor. Teria trabalhado mais na imagem base (que o ChatGPT fez tão bem), talvez até rascunhando o layout que eu teria pensado melhor. Ainda ficou meio caótico.
O que aprendi com isso?
Na verdade, não aprendi. Só confirmei o que eu sempre achei. A IA já entrega grande parte do processo criativo com velocidade, qualidade e até bom humor. Mas que a diferença entre ideia boa e imagem boa está na execução.
E essa parte ainda é humana.
Sem contar que a primeira versão que a IA entrega nunca é o ideal. A gente tem que ir refinando até chegar em algo mais próximo do que queremos.
A IA entrega o primeiro rascunho. O acabamento, a estética, a escolha de deixar ou remover, isso tudo ainda vem do repertório, do olhar e do propósito de quem tá por trás da tela.
Se você quiser transformar sua proposta de valor em um blister, uma campanha, uma história (e usar a IA como parceira, não como substituta) me chama por esse link.
Ou escaneia o QR code Ali embaixo que, obviamente, funciona. Eu não ia perder uma oportunidade dessas.
De bônus fica essa aberração que foi quando subi uma foto minha para ver se ajudava na caracterização do boneco:
