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O que um atalho no gramado pode ensinar sobre dados

Assim como na cidade, os consumidores ignoram caminhos complicados. Seus dados revelam o que eles realmente querem.

Imagine que você está caminhando pelo parque. O caminho pavimentado faz uma curva longa, mas ali, à sua frente, um rastro de terra batida corta o gramado em linha reta. Claramente, muitas pessoas passaram por ali antes de você, ignorando o planejamento oficial e criando seu próprio trajeto. Você segue esse caminho? Provavelmente sim.

Esse fenômeno tem um nome: caminhos do desejo. São trilhas espontâneas, moldadas pelo fluxo natural das pessoas, ignorando as decisões dos urbanistas e revelando a verdadeira necessidade de movimento. Mas o que isso tem a ver com análise de dados e tomada de decisão nos negócios? Absolutamente tudo.

Seus clientes já traçaram os melhores caminhos. Você está prestando atenção?

No mundo dos negócios, passamos muito tempo planejando caminhos para nossos clientes. Criamos processos, desenhamos funis de vendas, desenvolvemos experiências de usuário... Mas, assim como os urbanistas que ignoram os caminhos do desejo, muitas empresas insistem em estruturar seus sistemas sem observar como os clientes realmente se comportam.

Pense em um site de e-commerce. Você desenha uma jornada perfeita: homepage → categoria de produto → carrinho → checkout. Mas seus dados mostram que muitos usuários clicam direto no campo de busca, ignorando completamente as categorias que você organizou com tanto carinho. Ou então, saem do site no momento do cadastro, porque a exigência de criar uma conta antes de comprar os frustra.

Esse é o equivalente digital dos caminhos do desejo. Seus clientes estão tentando te dizer algo com seus comportamentos.

Michigan State e o poder da observação

No campus da Michigan State University, ao invés de pavimentar caminhos arbitrários, os planejadores esperaram para ver onde os estudantes realmente andavam. Depois de algumas semanas, os caminhos do desejo formados na terra foram analisados e, só então, os caminhos foram oficialmente pavimentados.

Esse é um exemplo perfeito de decisão orientada por dados: em vez de tentar adivinhar a melhor solução, a universidade simplesmente observou e respondeu à realidade.

Empresas de tecnologia fazem isso o tempo todo. O Google, por exemplo, lança versões beta de seus produtos para ver como os usuários interagem antes de um lançamento final. Já percebeu como o feed do Instagram mudou nos últimos anos? Ele não foi projetado apenas com base na opinião de designers, mas sim no comportamento dos usuários.

Você tem que analisar os caminhos naturais do seu público antes de tomar decisões.

Como aplicar os caminhos do desejo ao seu negócio?

  1. Colete dados reais de comportamento
    Antes de decidir sobre mudanças no site, no atendimento ou no funil de vendas, analise o que seus clientes já estão fazendo. Quais páginas recebem mais visitas? Onde os clientes abandonam o carrinho? Como eles interagem com seu produto? Google Analytics e ferramentas como o Clarity ajudam muito nisso.

  2. Identifique os atalhos e barreiras invisíveis
    Assim como cercas podem frustrar pedestres que tentam criar caminhos do desejo, processos desnecessários podem frustrar seus clientes. Se muitas pessoas evitam preencher formulários longos, talvez eles sejam um problema. Se seus clientes sempre perguntam as mesmas coisas no WhatsApp antes de comprar, seu site pode estar confuso.

  3. Experimente e ajuste
    Em vez de apostar tudo em um "grande lançamento", teste pequenas mudanças baseadas no comportamento real do seu público. Algumas empresas fazem isso com testes A/B, oferecendo duas versões de uma página e analisando qual funciona melhor.

  4. Escute o que não está sendo dito
    Nem todo feedback vem em forma de reclamação. Muitas vezes, as ações dos clientes dizem mais do que palavras. Se ninguém usa um recurso que você achava genial, talvez ele não seja tão necessário assim.

Sempre analise os dados

Não é só marketing digital que vive de dados de campanhas de tráfego pago. Dados são informações, que podem ser gráficos, números ou até terra batida no chão.

E essas informações contam muitas histórias. Mostram tendências e comportamentos. Ignorar os dados é fechar os olhos para algo que estão te contando, que não é uma opinião, é um fato.

Se você quiser entender mais sobre dados, acesse aqui para que eu possa entender melhor a sua necessidade e pensar nas melhores maneiras de abordar isso. Pode ser uma nova edição da newsletter ou até um outro conteúdo específico.