A marca que se recusa a envelhecer

Como uma marca pode permanecer jovem para sempre sem perder sua identidade?

No final do século XVI, em um castelo na atual Eslováquia, uma condessa observava o próprio reflexo em um espelho de bronze. A cada ano que passava, a sombra do tempo se insinuava em sua pele, e isso era inaceitável. Elizabeth Báthory não era uma mulher comum. Era uma das mais poderosas da Hungria, dona de terras, castelos e uma linhagem nobre. Mas nada disso importava se o tempo vencesse. A lenda conta que, ao ver o sangue de uma jovem criada escorrer por seus dedos, algo lhe ocorreu: talvez o segredo da juventude eterna estivesse ali.

A história (exagerada ou não) se espalhou. Dizem que Báthory passou anos banhando-se no sangue de moças, acreditando que isso manteria sua pele jovem. Seu nome entrou para a história como um símbolo macabro da obsessão pela beleza e pela juventude. Mas, no fundo, sua busca não era tão diferente daquela que vemos hoje, só que sem a morbidez medieval. O medo de se tornar irrelevante, de perder a conexão com a imagem que construiu, de ser esquecida.

Alguns séculos depois, num conto de fadas, uma rainha de um reino distante tinha um dilema parecido. Sua beleza era incontestável, mas a cada dia, uma ameaça crescia dentro de seu próprio castelo: Branca de Neve. Como garantir que sua beleza permanecesse absoluta? Seu espelho, sempre sincero, lhe trazia uma resposta desconfortável. O tempo era implacável, e o mundo mudava ao redor dela. Se não fizesse algo, seria ultrapassada.

No fim, sabemos como essa história termina. A rainha aposta na estratégia errada. Ao invés de mudar a própria imagem, tenta eliminar a concorrência. Mas no mundo das marcas e do marketing, há outro caminho. Algumas empresas se olham no espelho e, quando percebem que o tempo está passando, não atacam a nova geração, elas se transformam com ela.

E poucas fazem isso tão bem quanto a Fanta.

A Marca que Nunca Envelhece

Se há uma marca que parece viver a maldição da juventude eterna, essa marca é a Fanta. Enquanto sua irmã mais velha, a Coca-Cola, mantém o mesmo rosto há mais de um século, Fanta muda de identidade visual constantemente. Novos logotipos, novas cores, novos traços. É como se, de tempos em tempos, ela olhasse no espelho e perguntasse: "Ainda sou jovem?".

A resposta sempre parece ser “não”, e então ela muda.

Isso acontece porque Fanta não pode se dar ao luxo de envelhecer. Seu público-alvo são adolescentes, um grupo que está sempre se reinventando. Não é aquela merca que vai “crescer” com seus consumidores, ela passa na vida deles. E logo chegam novos adolescentes, diferentes dos anteriores.

O jeito como falam, se vestem e se expressam muda de geração para geração. E se a marca quiser continuar sendo relevante, precisa acompanhar esse ritmo.

A Coca-Cola, por outro lado, não tem esse problema. Ela é clássica, atemporal. Seu público não está preso a uma única geração, ela é para todos. É por isso que seu logo permanece quase intocado há décadas. Coca-Cola pode ser a mesma hoje e daqui a cinquenta anos.

Fanta não tem esse luxo. Se ela não muda, fica velha para um público que exige sempre o novo.

O Dilema da Juventude

No marketing, há uma regra fundamental: as marcas devem evoluir junto com seu público. Mas a linha entre reinvenção e perda de identidade é tênue. Se Fanta não mudar, corre o risco de parecer antiquada. Se mudar demais, pode se tornar irreconhecível.

A Coca-Cola escolheu a estabilidade e se tornou um ícone atemporal. Fanta escolheu a adaptação constante e, por isso, nunca tem um rosto definitivo. No entanto, essa estratégia exige um cuidado constante. Afinal, se a cada década seu visual é completamente novo, será que as gerações futuras ainda reconhecerão a marca?

A Rainha Má tentou parar o tempo destruindo sua concorrência. Elizabeth Báthory buscou a juventude eterna em métodos sombrios. Fanta, por sua vez, tem um caminho mais sutil, mas igualmente ambicioso: não deixar seu reflexo se fixar por tempo demais.

O problema é que, quando você nunca envelhece, nunca amadurece completamente. Será que, um dia, Fanta encontrará um equilíbrio?

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