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O clube do livro que virou um negócio Bilionário
Como um simples grupo de leitura virou um laboratório de validação para histórias que faturam milhões.
Imagine que você pudesse testar um produto antes de investir pesado nele. Melhor ainda: imagine que milhares de consumidores dispostos e engajados testassem esse produto por você, validando sua popularidade e eliminando boa parte dos riscos antes mesmo do lançamento oficial. Parece uma estratégia perfeita, certo? Agora, substitua "produto" por "história" e você entenderá exatamente o que Reese Witherspoon fez com seu Reese’s Book Club.
Reese não criou apenas um clube de leitura. Ela criou um sistema de validação de histórias que transformou o mercado editorial e o audiovisual ao mesmo tempo. É um caso de negócios que vale muito mais do que uma estatueta do Oscar.

O negócio por trás do clube do livro
Lançado em 2017, o Reese’s Book Club escolhe e divulga mensalmente livros escritos por mulheres e sobre mulheres. A proposta parece simples e nobre: incentivar a literatura feminina e diversificar o mercado editorial. Mas, por trás dessa curadoria, existe um modelo de negócios brilhante.
Aqui está o pulo do gato: quando Reese recomenda um livro, ele automaticamente ganha uma exposição massiva. A atriz já tem um público cativo e sabe aproveitar o Star Power dela para movimentar seus seguidores. O impacto é tão grande que muitas das obras escolhidas se tornam best-sellers instantâneos, impulsionando carreiras de escritoras e gerando milhões em vendas de livros. Mas esse não é o único objetivo.
Mas, na verdade, ela está testando histórias.
Cada livro indicado no clube passa por uma espécie de teste de mercado gratuito. Se um título se destaca em vendas, engajamento e impacto cultural, Reese já tem o termômetro perfeito para saber se essa história pode ser transformada em um filme ou série de sucesso. Antes mesmo de comprar os direitos, ela já tem dados concretos de que aquele conteúdo funciona com o público.
E quando chega a hora de adquirir os direitos para adaptação, ela já tem a resposta do público na mão. Ou seja, em vez de apostar às cegas, como muitos estúdios fazem, ela minimiza drasticamente os riscos. É um teste A/B gigante, só que com histórias e dinheiro real. Não é aquela coisa de perguntar pros seus seguidores se eles gostam. É um teste real.
E essa estratégia já rendeu grandes sucessos. "Big Little Lies", "Pequenos Incêndios por Toda Parte" e "Daisy Jones and The Six" são apenas alguns exemplos de livros que passaram pelo Reese’s Book Club antes de virarem séries de sucesso. O impacto vai além da tela. Cada adaptação fortalece ainda mais o clube, criando um ciclo onde histórias validadas pelo público geram hits no entretenimento, e vice-versa.
Como isso se traduz em negócio?
Aqui está o grande diferencial: enquanto Hollywood muitas vezes investe milhões em histórias sem saber se o público vai gostar, Reese usa o próprio público para validar o que vale a pena produzir. E quando esse público valida, já tem uma audiência praticamente garantida para o lançamento da série ou filme.
Esse processo cria um ciclo perfeito:
Ela seleciona um livro → Dá visibilidade à história através do Reese’s Book Club.
O público reage → Se as vendas disparam e a obra engaja, isso indica que a narrativa tem grande apelo.
Ela adquire os direitos → Com um risco muito menor do que uma aposta comum.
Produz filmes e séries → Já sabendo que a história tem um público consolidado.
E os números falam por si. Sua produtora, Hello Sunshine, já adaptou vários dos livros recomendados em produções de grande sucesso. A estratégia funcionou tão bem que, em 2021, a Hello Sunshine foi vendida por impressionantes US$ 900 milhões.

O que podemos aprender com a Reese?
O que Reese Witherspoon fez pode parecer exclusivo do entretenimento, mas o conceito por trás da estratégia pode ser aplicado em qualquer negócio. Veja algumas lições que qualquer empresário pode tirar desse caso:
Teste antes de investir pesado
Antes de lançar um produto ou serviço, busque validar sua aceitação no mercado. Pode ser por meio de um MVP, campanhas piloto ou engajamento inicial nas redes sociais.Crie um público engajado que ajude na validação
Reese construiu uma comunidade apaixonada por livros antes de transformar isso em um negócio. Empresas que criam audiências antes de vender algo conseguem diminuir os riscos e aumentar o sucesso.Use os dados a seu favor
Ao analisar quais livros geravam mais engajamento e vendas, ela tomou decisões baseadas em evidências, não em achismos. Aplicar essa mentalidade de análise de dados em qualquer empresa pode evitar fracassos caros.Não venda um produto, venda um propósito
Reese não vende livros, séries ou filmes. Ela vende histórias de mulheres contadas por mulheres. Esse propósito cria uma conexão real com seu público, gerando um engajamento que transcende o marketing tradicional. Sempre que você consegue colocar emoção em algo, aquilo ganha mais valor.
De um clube do livro a um império de entretenimento
O que começou como um clube de leitura virou um modelo de negócios inovador. Enquanto muitos produtores de Hollywood ainda gastam fortunas tentando adivinhar o próximo sucesso, Reese Witherspoon já tem uma fila de histórias testadas e aprovadas pelo público, prontas para serem transformadas em sucessos milionários.
O mais impressionante? Tudo isso começou com um clube do livro aberto na internet.
No final das contas, o que Reese criou não foi apenas uma empresa, mas um método de validação de produtos disfarçado de clube de leitura. E esse método pode ser replicado em qualquer indústria.
Influenciadores criam suas próprias marcas a partir de produtos que já venderam aos montes para seus seguidores. Qualquer comunidade engajada traz informações relevantes que podem virar negócios, mas você precisa estar atento.