A vida sem mascotes

O efeito das restrições nas embalagens e a conexão com os consumidores

Mascotes de marcas são excelentes para criar conexão com o público. Trazem uma personalidade, são memoráveis e ajudam a nos marcar. Principalmente com as crianças.

É difícil imaginar algumas embalagens sem personagens que já estão marcados nas nossas memórias e a gente pode nem notar como eles são importantes.

O Chile tem uma legislação bem rígida quanto ao uso desses personagens por causa das crianças. E isso faz com que eles tenham embalagens que ficam bem diferentes do que estamos acostumados.

Acho que todo mundo conhece o Tony, tigre dos Sucrilhos.

É impensável essa embalagem tão tradicional sem o mascote.

Mas ela existe.

Parece até a embalagem de uma imitação do cereal.

Imagina o Froot Loops sem o tucano ou o Corn Flakes sem o galo. Eles existem e fica claro como perdem personalidade sem as ilustrações.

Os famosos M&Ms também têm mascotes. A gente pode até nem notar quando compra um, mas eles sempre estão nas embalagens.

Lá no Chile eles também têm aqueles avisos destacando o que tem de prejudicial no alimento. São bem mais chamativos que aqui e eles usam sem dó nenhum para esconder os personagens.

Os avisos tamparam não só o personagem como até boa parte do nome do chocolate.

E mesmo quando a embalagem é feita já sem o mascote ela fica mais sem graça.

Me lembro quando minha filha não tinha nem dois anos

. Não comia doce ainda, nem sabia o que era embalagem de bala. Mas numa Americanas ela começou a pegar embalagens de Fini e colocar numa cesta. Certamente os personagens ajudaram nisso.

Já as versões chilenas, além de removerem as ilustrações, deixaram a embalagem o mais sem graça possível.

Por algum motivo tiraram até as formas mais orgânicas das embalagens e colocaram tudo quadrado. Parece que desenharam no Excel.

E não são só os produtos claramente focados em crianças. Até a Pringles teve que tirar o mascote da embalagem.

Eu achei três versões diferentes.

Uma só com batatas em destaque, outra com o bigode e uma (que me parece importada) tem só um adesivo escondendo o personagem.

Nem todos fazem adaptações preguiçosas. Dos que vi, o melhor foi o Cheetos, que teve que se livrar da do Chester Cheetah, mas conseguiu manter a embalagem interessante.

Os personagens ajudam muito na conexão com o público, principalmente o infantil. Muitas vezes tendo mais a cara do produto que o próprio nome ou logo.

Certamente não fazem a mesma falta em um país que está acostumado com a ausência deles, do que causa estranhamento para nós, que os vemos sempre nos mercados.

Mas mesmo com uma legislação que impeça o uso deles é possível você manter a personalidade do produto, se fizer algum esforço.