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Quando "menos é mais" não é suficiente
Descubra como o equilíbrio entre simplicidade e detalhes pode transformar campanhas
Você já deve ter ouvido a famosa máxima "menos é mais". No design, na moda e até na comunicação, a ideia de simplicidade domina há décadas. Mas será que ela funciona sempre? A nova campanha da Calpol, da Johnson & Johnson, nos mostra que às vezes o “menos” pode ser, na verdade, menos. Com dois cartazes impecáveis disputando a preferência do público, a questão nos provoca: quando o “mais” é o que realmente faz a diferença?

O minimalismo funciona, mas até onde?
O cartaz à esquerda é um exemplo clássico do "menos é mais". Uma imagem poderosa, uma criança sorridente e o slogan "Alguém está se sentindo melhor". É direto, bonito e eficaz. Ele cria associações claras como "criança", "remédio" e "alívio". Mas será que isso é o suficiente para convencer? Para algumas campanhas, pode ser. Mas quando olhamos para o cartaz da direita, algo interessante acontece.
Esse segundo anúncio adiciona mais elementos: a embalagem do produto, uma promessa de ação rápida (“age na febre em apenas 15 minutos”) e detalhes que ampliam o contexto. Apesar de mais "cheio", ele é mais eficaz para criar novas associações como "rápido", "eficiente" e "solução confiável". O resultado? Ele desperta emoção positiva mas também explica melhor o que está vendendo. Além de fazer o público se lembrar melhor da marca.
Quando o “mais” é necessário
A comparação entre os dois cartazes é um exemplo claro de que "menos é mais" nem sempre é a melhor escolha. Às vezes, o público precisa de mais contexto, mais informações ou mais razões para acreditar. No caso da Calpol:
O cartaz da esquerda atinge o básico, mas o da direita vai além. Ele não só emociona, mas também educa.
O acréscimo de uma embalagem e uma promessa tangível (em 15 minutos) reforçam a credibilidade e tornam a mensagem mais completa.
Isso não significa que o "mais" deve ser sinônimo de excessos ou confusão. Pelo contrário, o segredo está em usar elementos adicionais de forma estratégica, enriquecendo a narrativa sem diluí-la.
Pode até precisar de mais, mas não tem que ser muito mais.
Menos é mais... até encontrar o limite
O debate "menos ou mais" nos leva a uma reflexão importante: o que funciona para o seu público? Em situações onde o consumidor já tem familiaridade com a marca ou produto, o “menos” pode ser o ideal. Mas quando há dúvidas, concorrência ou falta de informações, adicionar camadas de contexto pode ser essencial.
Pense no seguinte:
Um anúncio minimalista pode atrair atenção, mas será que ele responde às perguntas que seu cliente tem na mente?
Mais informações podem parecer um risco, mas, quando bem dosadas, elas constroem confiança e garantem que sua mensagem ressoe de forma mais clara.
A lição da Calpol
A campanha da Calpol é um lembrete de que, no marketing, não existe fórmula fixa. O ideal é sempre testar, medir e entender o que funciona melhor para o seu público. O "menos" pode ser perfeito para transmitir emoções rápidas, mas o "mais" pode ser o que convence o consumidor a tomar uma decisão.
Na próxima vez que você estiver planejando uma campanha, pergunte-se: o que o meu público precisa ver para confiar, se conectar e agir? E lembre-se: às vezes, “mais é mais”, desde que seja o mais certo.

O estudo citado foi feito pela System1, empresa que eu já tinha citado em outra edição da newsletter, que falava de dados e ciência comportamental.
Link da publicação original, que falou sobre a pesquisa, que me fez querer escrever sobre o assunto.
Quer ajuda no marketing da sua empresa? Me mande uma mensagem para marcarmos um diagnóstico gratuito.